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27/03/1997 in Jornal da Marinha

UM ANO DE LUTA

FEZ NO PASSADO DIA 21 UM ANO QUE FUNDÁMOS ESTE "CANTINHO"

   "Pois é, Novos Sons é um espaço que vos vai acompanhar neste jornal durante várias semanas, não vai ser uma D.Rosa, que muito respeito tenho por ela, mas sim uma rubrica onde se vai tentar aproximar, a realidade musical na Mª Grande, aos leitores menos atentos desta "onda", que se espalha cada vez mais por todas as garagens Marinhenses."

   Esta foi a primeira frase, com que se iniciou este "cantinho" de música, aqui no Jornal da Marinha Grande, á um ano atrás. Fizemos votos e promessas que não perderíamos pitada, das novidades musicais cá da zona. Afirmámos que existiam cerca de 15 bandas Marinhenses. E sempre, sem nos esquecer-mos da realidade musical em Portugal (...bolas, até rima!). Ao contrário dos Políticos, estamos aqui, hoje, para vos fazer o balanço rigoroso de um ano de trabalho, e para traçar mais alguns objectivos para os próximos tempos.

   Dizer que existem cerca de 15 bandas a ensaiar nas garagens Marinhenses, pode ter sido uma das frase mais ousadas que aqui escreve-mos, à um ano. Mas se começar-mos a contá-las chegamos à conclusão que se calhar existem mais de 15. Podemos começar pelos POLTERGEIST (uma), que foi a primeira banda a ser acompanhada, aquando um concerto no Anora Bar, acompanhados pelos ex-Mentes Podres, os SARAMPO (duas). Depois fomos visitar os ALMA NOSTRA (três), com uma entrevista, em que nos mostraram todo um caminho de uma banda bastante madura.

   Acompanhámos o concerto dos CRASH (quatro), dos DUMB NOISE (cinco) e dos MORTALTHRON (seis) na festa da Escola Secundária Eng. Acácio Calazans Duarte, mas não se esqueçam que os TOCA & FOGE (sete) também eram para têr aparecido, mas por razões já esclarecidas não o fizeram. Fizemos a reportagem do concerto dos PULL (oito), com a primeira parte preenchida pelos NO PAIN HURTS (esta não conta,...é de Sintra). Comentámos o projecto COMMON FRIENDS (também não é Marinhense...) e toda a entrega de PRÉMIOS BLITZ 96. Entrevistámos bandas como os FILHOS DO HOMEM DO TALHO (nove) e CRASH. Vimos os concertos dos ESTADO SÓNICO (dez), RUÍDO OCULTO (onze) e SILENCE 4 (esta é de Leiria...).

   Por falar em bandas de Leiria, acompanhámos um dos festivais mais pesados da zona, organizado pelo INTERGRUPO, e que decoreu em Moinhos de Carvide, em que participaram bandas como, VOMITORY, HOWL, SOULESS e muitas outras. Fomos vêr bandas de nível Nacional, como BLIND ZERO, PRIMITIVE REASON e MERCÚRIOCROMOS. Mostrámos primeiro do que os canais de Televisão Portugueses, a entrega de Prémios de Música 96, da MTV. Acompanhámos todo o percurso do Nuno Brito e os ORIUNDI, pelo Festival da Canção. Mostrámos uma vez mais, os nomeados para os prémios de música BLITZ deste ano, e por fim fomos visitar a Orquestra Juvenil da Marinha Grande.

   Como repararam, só contámos onze, mas agora juntem as novidades, como os SKUNK (doze), os STEREO TYPE (treze) e os já bem conhecidos 605 FORTE (catorze) e as bandas de bar, como POP DELL`BAR (quinze). Mas claro que não fica por aqui, porque ainda há mais cerca de 4 a 5 bandas em fases iniciais, à espera de melhor sorte.

Será que não vale a pena fazer espectáculos, apenas com bandas Marinhenses? Será que a música destas bandas não se equivale aos sons gravados nas grandes cidades? Será que não compensa, ter um estúdio cá na zona? Será que há público para estas bandas todas? Será que existem salas para estas bandas mostrarem os seus trabalhos? etc...etc...etc... Ou seja, com 15 bandas a uma média de 4 elementos por banda, dá 60 pessoas que trabalham dia a dia numa arte que é a música. Por tudo isto, penso que é tempo dos bares e entidades Marinhenses (por exemplo e sem quaisquer tipo de questões partidárias, que jeito que dava um palco na Festa do Avante, só com bandas da Marinha), apostarem na música Moderna Marinhense.

   Quanto ao futuro, apenas prometemos lutar contra a música PSITACISTA, acompanhar os projectos Marinhenses, ver todos os concertos e espectáculos possíveis e esperar poder vir a dar mais atenção a todos quanto a precisem.

   Pedimos desculpa a todos os que sentiram ofendidos, agradece-mos a todos os que nos ajudaram e fazemos votos para que no próximo ano, tenha-mos mais força e espaço para vocês, músicos e derivados.