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31/08/2000 in Jornal da Marinha

BigaMania

...ou bigamia!!

   Que têm dois lados, não tenho dúvidas!

   É ao que por vezes pronuncio de ser ou não ser, ou de ter ou não ter. Será que depois de tantos anos de garagens, palcos, fitas, sons, ideias, sucessos, insucessos, previsões e até decepções,...será que os Big Me nos vão trazer algo de novo?

   Pois é, na noite de Sexta-feira, passada, fui ver, ouvir e sentir o pulso desta banda Marinhense de quem muito se espera. Não só pelo som que praticam, mas também pela longa experiência da maior parte dos elementos. São sem dúvida, um quarteto de bons executantes de um pop/rock curioso, com rasgos de alegria trazida pelas harmónicas e flautas do Johny " 'má men ". A Bateria do João Barosa continua certinha que nem um relógio no seu bater forte e dedicado, acompanhado pelo baixo do Ricardo Pais que nunca larga as batidas do coração daqueles que os sentem. E é aqui que a bigamia começa, com uma critica regional favorável, a impressionar aqueles que neles acreditam, e a surpreender os outros que os criticam. Duvido que alguém de ouvido apurado para este pop/rock de sentimentos de raiva contida, tenha ficado indiferente ao profissionalismo que a banda apresenta. Com um som de qualidade, manager a ajudar (e não a empurrar) convidados de luxo que mais parecem residentes, força interior expressa em acordes distorcidos, e organização de 9 estrelas (na escala de Ritcher), os Big Me estão aí.

   Com a certeza de algo fazer, só dão tempo ao tempo para o arranque....bigamo, como se esperava. "Se os gajos não se decidirem, nós arrancamos!!". Inspirados, talvez, nos Gift, portadores de um membro conhecedor de Marketing, e que até agora tudo o que conseguiram, e não é pouco, foi às suas custas. Sem Editora, têm-se auto-promovido, auto-financiado e auto-moralizado de uma maneira, que só a eles podem agradecer o sucesso. Ou então, desesperados, por um lugar no cantinho da praia. Não só esta banda o merece como a própria Marinha Grande, que depois de um relativo sucesso dos Estado Sónico, da esperança chamada Nuno Brito e de um rasgo de popularidade dos Lunáticos, que o futuro me parece adverso a outras aventuras, se vê agora limitada a alguém que à vários anos tenta aparecer.

   Não quer dizer, que daqui saiam os próximos Silence 4, mas pelo menos alguém que nos represente nos festivais de verão. Quem não ficou, de alguma maneira, sorridente com o nome dos Big Me no cartaz da Queima de Coimbra? Por tudo isto, convém prestar atenção a temas como os tocados nessa noite de Rock no Snoobar que tantas saudades me traz. Velhos tempos de Ramp, SG's, Penisheman, Gang, Despe & Siga, Braindead, Capitão Fantasma, e tantas, tantas outras bandas.

   Temas esses que foram tocados mais ou menos por esta ordem; Poetry Strip, Wrong way, Follow my track, There'no Time, The Girl, Perfect, Strange, Sweet Melody, Turn away, All of my Thoughts, Straight to your heart, trip me, your touch, Run and hide e Rain. Fica aqui, então, o meu voto de grandes sucessos. Penso que rapidamente algo poderá ser adiantado, pois o concerto além de ter tido transmissões em directo numa Rádio Leiriense, também foi presenciado por individualidades com responsabilidades editoriais, e de produção de espectáculos. Espero que o sucesso desejado dos Big Me, traga de volta o frenesim de bandas de garagem, de concertos de rock mal organizados, novos músicos, ideias contemporâneas e inspirações joviais. Mais ainda. Espero que a voz da Rute possa espertar ideias femininas. Que as tragam para o palco, mostrar o que têm...e o que não têm.