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08/01/1998 in Jornal da Marinha

CAMINHOS MONETÁRIOS

   Dinheiro municipal já tem destino. E que destino !!

   Não costumo criticar as acções camarárias, nestas matérias. Bem sei que são decisões difíceis de tomar. Todos os pelouros necessitam do máximo de verba possível. Mas também tenho que confessar que não sou alheio às atrocidades que se vão fazendo. Não gosto de ironias económicas.

   A questão do desporto, é um caso muito sério, ao qual a nossa Câmara Municipal, continua a mostrar alguma prova de desconhecimento. Para o Estádio, que se diz municipal (..o que é mentira), vão logo cerca de 150.000 contos. Não é que o Estádio não precise deles, se calhar até de muito mais. O que me revolta é ser um Estádio Municipal, e quando uma equipa, por acaso até bem classificada desportivamente, dando e levando o bom nome Marinhense a todo o distrito, quer ou necessita de lá treinar, é humilhada como nunca alguém o fez desportivamente. Normalmente sendo-lhe negada a possibilidade de lá treinar, e quando isso não acontece, regras e mais regras, só vistas em países de terceiro mundo, lhe são impostas.

   Depois é bonito de observar que para além de já ter um relvado secundário, (mais uma má opção política...) ainda a Câmara vai dispensar mais 500 contos para um pelado. O que nos vale, é a magnífica classificação, que o nosso Atlético tem vindo a obter.

   Para compensar, parece que se esqueceram, ou os meus já fracos olhos não conseguiram captar, da "massa" para o relvado na vieira.

   Para os amantes de ténis, há uma notícia boa. Parece que já podem fazer o seu chichi, quando jogarem nos courts de S.Pedro.

   No desporto está visto que as coisas vão andando, mal ou bem, com pequenos arranjos de milhares de contos, pelos erros feitos anteriormente, enfim nada é perfeito. Até parece que é agora que vai haver Piscina Municipal, pelo menos os 20.000 contos assim o dizem.

   No que respeita à saúde, tudo vai bem. Não há doentes, nem problemas nas instituições, tudo corre às mil maravilhas. Apenas 5.000 contos têm esse destino, o que mostra bem o estado de graça que a saúde vive.

   Assim não acontece nos Pavilhões da FAE, que este ano vão consumir mais 75.000 contos, com obras diversas. Vá-se lá saber, que obras são. Tal como acontece, com a passagem desnivelada, um dos "excelentes" trunfos do actual executivo nas passadas eleições. Inaugurou-se antes da ida às urnas, enfrentou-se um pequeno problema técnico, o desabamento, e este ano então, disponibiliza-se mais 63.700 contos. É com esta política que teremos de viver mais 4 anos.

   Na cultura, podemos realçar os milhares "oferecidos" aos Museus, do Vidro e de Joaquim Correia. Ou então, e bem aplicados, os 50.000 para a construção e instalação da Biblioteca. Sim porque o nosso actual espaço de leitura é debilitado, antiquado, pequeno, pouco prático, enfim é um tipo de Biblioteca que já "caducou" à anos.

   Não duvido que todos estes problemas estão bem assentes, quando os nossos responsáveis concelhios, fazem um Orçamento. Mas também penso que nos tempos Democráticos em que hoje vivemos, é possível e até aconselhado, os seus habitantes demonstrarem algum estado de preocupação. Mostrando assim que ainda há cidadãos minimamente interessados no futuro de uma terra de trabalho como esta.