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09/03/2000 in Jornal da Marinha

OPINAR MÚSICA

NÃO SE DEIXE LEVAR POR "PAGA 1 LEVA 12"

   Antes de mais, gostaria de pedir desculpa por um lapso de impressão que colocava por debaixo do meu artigo da passada semana o seguinte site, www.música.mg. Site esse que não existe. Esse era o título previsto para o artigo em questão.

   Para esta semana, tinha previsto terminar aquilo a que chamei de Opinar Música, através de pensamentos estratégicos e empresariais. Era uma tentativa de ligar a Música ao Marketing. Fazer associações, propostas e alertas.

   E de certa forma, fi-lo. De alguma maneira o poderia ter feito melhor!

   No entanto não poderia recolher frutos logo de imediato. Recebi algum feedback, embora não o suficiente. As bandas continuam fechadas no seu "mundinho". Limitam-se a acreditar em algumas meias verdades, talvez intituladas como tabus.

   Em um breve resumo, penso que é notória a falta de amor à música, o tal "amor à camisola", no entanto a parte comercial que tantas vezes é a fonte de inspiração, nem sempre é bem aproveitada. A força que faz mover o carro está quase sempre do mesmo lado. A dependência acentua-se cada vez mais. Nem as novas tecnologias de informação parecem desmoronar o trono que durante anos tem escolhido e limitado a boa e má música.

   Custa-nos a admitir, mas são essas forças que nos impõem a música que ouvimos, são eles que estabelecem as famosas listas de rádios que nos acompanham para onde quer que nos deslocamos. Mesmo nos nossos dias, com tudo ou quase tudo a ser possível, parece continuar a ser difícil escolher (escolher mesmo) a música que queremos ouvir.

   Para demonstrar bem a situação do nosso panorama musical, basta recuar até ao passado fim de semana, em que, quem quisesse ouvir música de Carnaval, irremediavelmente levava uma baldada de música brasileira. Boa e má. E já agora porque é que ainda não conseguimos exportar para o Brasil, pelo menos, metade da música que de lá importamos?

   Espero, e faço votos, para que nos próximos anos possa assistir a uma remodelação profunda no negócio, que hoje é, a música. Amanhã, espero poder escolher a música que gosto, espero poder chegar a uma loja virtual, e ter lá de tudo. Mas tudo mesmo. Adquirir uma música, e não um conjunto de músicas. Para quê pagar 3500$00 por um CD, se só me interessam 2 ou 3 temas! Mais parecem as típicas promoções que se fazem no Continente, "paga 1 leva 12".

   No fundo, hoje isto já se faz. Já posso ir a um site e construir a minha própria jukebox. No entanto, ainda poucos o fazem. Ainda existem receios na segurança da compra on-line. O que para mim é no mínimo algo de curioso, pois os cartões Multibanco, cartões de crédito ou até PMB’s, tão bem amados dos portugueses, transmitem toda a informação (dados pessoais e monetários) para os bancos, através de uma simples linha telefónica, assim como a compra on-line.

   Existem meios, conceitos e oportunidades, só precisamos de as aproveitar. Para podermos mostrar a música marinhense, muito mais se tem de fazer. Já não se aceitam lamentações. Disponho-me a trabalhar em conjunto com aqueles que realmente gostam de música e que se mostrem interessados em promover a Marinha Grande. Penso que existem maneiras de o conseguir. Pelo menos de tentar!

   Continuo a pedir que me enviem algumas moradas electrónicas de bandas marinhenses, e não só. E já agora, que me contactem através do meu e-mail, se tiverem interessados em fazer algo.