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10/04/1997 in Jornal da Marinha

UM RECADO PARA ALGUÉM

EXISTEM MUITAS CARÊNCIAS NA Mª GRANDE

   Depois de ter lido, tantas e boas críticas, sobre "o Fidalgo Aprendiz", representado pelo Teatro do Operário, deu-me uma forte vontade ou necessidade de saber o porquê de todo este êxito.

   Uma peça encenada por Norberto Barroca, Vestida por Mário Dias Garcia, musicada pelos Estado Sónico e representada por 17 comediantes. Começaram por mostrar uma panorâmica do Teatro Clássico Português, em que não faltaram nomes como Gil Vicente, Luís de Camões, António Ferreira, António Ribeiro e só depois a representação da Peça "O fidalgo Aprendiz", uma comédia de D. Francisco Manoel De Mello.

   Depois de 2 horas de boa disposição e de cultura, senti-me revoltado. Não pelo espectáculo, nem pelos actores que foram magníficos, mas sim pela falta de boa disposição, de alegria e principalmente de cultura que se vive nesta cidade, a cidade da Marinha Grande. Ainda na cadeira do Auditório do SOM, deixei-me estar para uns momentos de reflecção para tentar me lembrar da última vez que tinha ido ao Teatro. Claro que não me veio nada à ideia, a não ser aquelas pequenas peças representadas por estudantes, em que as condições não são muitas, embora os actores não sejam nada maus. Também não é para menos, como é que um cidadão desta cidade pode ir ao Teatro ou ao Cinema, se não os há..., ou quando existem excepções, elas acontecem em sítios pouco preparados para receber tantos Marinhenses que até gostam de acompanhar a arte que se vai fazendo por todo o mundo.

   Quanto ao Cinema, basta nos deslocar-mos à cidade vizinha (Leiria), para chegar-mos à conclusão que não temos uma sala de cinema com as condições mínimas de conforto. No que toca ao Teatro, apenas a sala do Operário é portadora desta tradição. E mais uma vez vai ser palco de dois espectáculos, desta vez das peças "Os monstros sagrados em...cuecas", com Felipe Crawford e Rui Paulo (dia 20 de Abril) e "A secreta Obscenidade", do grupo Seiva Trupe (dia 23 Maio).

   Mas é claro que as nossas más e fracas instalações não são só estas, podia-mos fazer aqui uma lista com algumas carências de espaços adequados para diversas actividades na Marinha. Se nos voltar-mos para o desporto, observamos coisas, no mínimo curiosas. Os campos relvados são talvez um dos maiores problemas. Depois de um estádio municipal, mas feito apenas para o Marinhense, e de um campo nº2 também municipal (mas feito para o Marinhense), agora é a vez da Vieira ser contemplada com um campo relvado. Isto à primeira vista nem parece mal, mas é só para quem não anda atento ao desporto na Marinha Grande.

   Enquanto que a Vieira tem duas equipas seniores, uma na 1º divisão distrital zona sul e outra na divisão de honra (mas ambas estão para descer), Picassinos tem apenas uma equipa, os "Vidreiros" que depois de terem subido na época passada, este ano voltam a fazer um grande campeonato, estando no 8º lugar. "Vidreiros", que nem a possibilidade tiveram de treinar no relvado, que se diz "Municipal".

   Mas não é tudo, e quanto a "rings", ou Pavilhões de lazer para todos os cidadãos que queiram "esticar a perninha"? É claro que foram construidos 2 "rings", um na Comeira e outro na Pedrolheira, mas e a manutenção, balizas já não existem, tabelas nem pensar e a rede nem para a pesca serve. Também é claro que nós é que somos os culpados...

   Quanto a Pavilhões, temos o de Picassinos, em que se paga cerca de 4.000$00 por hora e o da Embra, só para as equipas da colectividade. Mas também não podemos pedir muito, já que desporto na Escola Pinhal do Rei, só no verão é que se faz.

   Também na música isto é um problema. Imaginem o que seria, ter-mos o Teatro Stephens aberto a espectáculos Musicais. É certo que temos um dos Pavilhões de Exposições todo equipado para estes efeitos, mas qual é a banda ou espectáculo que se arrisca a tocar num desses pavilhões, sabendo que não existem espectadores suficientes para uma meia sala. Só as bandas a nível Nacional o poderiam fazer, mas quem é que os trás cá?

   Já para não falar em desportos radicais, como os Patins em Linha, os Skates, as Bikes, etc....

   Enfim, estas sãos as muitas carências a que nos deparamos no dia a dia. Falta de dinheiro eu penso que não é, pois há dinheiro para 3 relvados, falta de espaço também não deve ser, tempo é coisa que não nos falta,...será falta de organização? Será falta de uma política desportiva? Será excesso de interesses? Será falta de vontade? ....não percam as cenas dos próximos episódios!!!