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24/04/1996 in Jornal da Marinha

" TÁ-SE BEM "

   Esta foi, talvez a expressão , mais ouvida no passado dia 16 no Coliseu de Lisboa, aquando a entrega dos Prémios Blitz 95. Pelo segundo ano consecutivo, o Jornal de Música - Blitz, levou a efeito a Gala da entrega dos prémios de música , reconhecendo assim o trabalho feito por, centenas de pessoas de várias áreas ligadas à música ,no ano 1995. Com cerca de 50 nomeados para 17 categorias, tudo era possível ,ninguém adiantava palpites e muito menos certezas ( a não ser o de prémio carreira , que já se sabia pertencer a Sérgio Godinho), esperava-se ansiosamente pelas 21h45m ,hora da abertura do espectáculo.

   Sem se fazer esperar, ainda não eram 22h , quando Sara Tavares ,acompanhada pelos «The Shout» , entraram em palco para iniciar uma noite que prometia ser longa .Depois de uma actuação a fazer lembrar um som , praticado mais para os lados dos EUA ( Soul ), José Figueiras chamava ao palco Rui Veloso , para entregar o primeiro prémio da noite. GARBAGE foi a primeira banda contemplada ,derrotando assim , bandas como FOO FIGHTERS e ALANIS MORISSETTE , na categoria de revelação Internacional.

   E a primeira surpresa (ou talvez não) é a revelação nacional , entregue aos KUSSONDULOLA , grupo de reggae Angolano que em 95 gravou o seu primeiro álbum "Tá-se Bem".Com a subida ao palco dos Primitive Reason , para uma actuação cheia de vida ,o pessoal que estava na sala começou a acordar e a manifestar-se .E a primeira grande ovação da noite , surgiu quando o nosso Presidente da República, Dr. Jorge Sampaio subiu ao palco do Coliseu para entregar o prémio de personalidade do ano, ao falecido Primeiro Ministro de Israel ISAAC RABIN (prémio recebido pelo embaixador de Israel ), lembrando assim, que esta geração não é tão "rasca" como alguém o disse ( este prémio foi votado pelo publico). Com uma actuação que fez levantar o publico dos seus lugares , os Blind Zero provaram que também mereciam estar entre os nomeados e o final da sua actuação prova bem o espirito da banda ,com afirmações como, "A nossa presença é dedicada a todos as bandas que têm coragem de fazer rock em Portugal" e "Boa noite, nós não somos os Pearl Jam".

   Logo a seguir, BJÖRK foi eleita como voz feminina internacional e David Bowie como voz masculina, ouvindo-se os primeiros assobios da noite , (estavam para vir muito mais).Como voz masculina nacional o eleito foi Paulo Gonzo ,e depois da derrota nos Globos Douro , Teresa Salgueiro arrecadou o prémio de melhor voz feminina nacional. Depois da actuação dos Gaiteiros de Lisboa , Gimba (vocalista dos Irmãos Catita) subiu ao palco para entregar o prémio Blitz ao considerado pela maioria do publico , Xunga do ano, mais conhecido por Iran Costa ( claro que ninguém teve coragem de o receber).E para finalizar a primeira parte , foi a vez dos Kussondulola mostrarem aos mais cépticos que o prémio revelação foi bem entregue .

   Na segunda parte foi a vez dos Mão Morta, do Luis Represas,dos 3 tristes tigres e dos Da Weasel , fazerem a festa "live", como o próprio Rui Monteiro (director do Jornal) teve oportunidade de o afirmar .Ainda haviam 9 prémios para ser entregues , e o primeiro foi o prémio carreira , que já se sabia pertencer a SÉRGIO GODINHO. Debaixo da maior assobiadela da noite João Miguel Almeida da Polygram subiu ao palco para receber o prémio de canção do ano, entregue a BON JOVI com o tema «Something For The Pain » e os SANTOS & PECADORES arrecadaram o prémio de melhor canção nacional, entregue pelo actor Joaquim de Almeida.

   Os SMASHING PUMPKINS venceram na categoria de grupo internacional do ano e depois, foi a vez de BJÖRK receber o seu segundo " Halter " da noite , agora na categoria de Artista Internacional do ano.De volta á música nacional, DA WEASEL e GENERAL D receberam os prémios de grupo e artista nacional do ano, respetivamente. Dois dos prémios mais aguardados da noite, foram nas categorias dos álbuns nacionais e internacionais do ano ,tendo sido os SMASHING PUMPKINS os contemplados fora de portas. E pelo segundo ano consecutivo ( um record ), os já veteranos XUTOS & PONTAPÉS levaram um "Halter " para casa , desta vez com o álbum «Ao Vivo Na Antena3». E com a noite a chegar ao fim ,foi a vez de Sérgio Godinho cantar 3 temas para encerrar de vez, um espectáculo único em Portugal e que só pecou na escolha do anfitrião, mas certamente que são assuntos para reflectir no próximo ano. Esperemos que pr'ó ano haja mais.